Dia da Ressaca: quando a cura vira experiência e o copo vira ritual

 

 Hugo Oliveira

Dia 28 de fevereiro é oficialmente o Dia da Ressaca, essa experiência que atravessa gerações, domingos e mensagens de “nunca mais bebo” enviadas aos amigos mais próximos. E se antes a cura vinha em forma de café forte, água de coco e silêncio, hoje ela ganhou novos contornos, mais criativos, mais sensoriais e, claro, mais interessantes.

 

Não por acaso, bares autorais como o Olga transformam a ressaca em narrativa. Aqui, ela não é combatida, é acolhida. O conceito da botica bar brinca com a ideia ancestral de que certos sabores, misturas e rituais têm poder quase terapêutico. Não no sentido médico, mas naquele lugar simbólico onde o corpo pede pausa, o humor pede ironia e a noite pede continuidade.

 

No cardápio do Olga, as chamadas “curas” aparecem como sopas, tônicos, garrafadas e elixires que misturam técnica de alta coquetelaria com memória afetiva. São drinks que carregam nomes sugestivos, ingredientes botânicos, infusões improváveis e aquela sensação de que alguém pensou exatamente em você quando decidiu que sim, dava para sair mesmo estando levemente acabado.

 

A Sopa de Tomatillo, releitura do Bloody Mary com tomate artesanal, conversa diretamente com o clássico remédio de ressaca. O Digestão, um tônico com vodka infusionada em louro, parece feito para quem quer acreditar que está se cuidando. Já o Cura X, servido como elixir, entrega exatamente o que promete no nome, nem que seja apenas em forma de conforto emocional.

 

Essa ideia de “cura” aparece no Olga muito mais como brincadeira e convite ao equilíbrio do que como promessa. O bar assume que beber bem não é sobre excesso, mas sobre saber o caminho, escolher a dose certa, o momento certo e a experiência certa.

 

Para Julio Perbichi, responsável pela coquetelaria da casa, tudo passa por consciência e prazer. “Não é a dose que ‘mata’, é a falta de atenção ao caminho. Quando você entende o que está bebendo, respeita o seu ritmo e escolhe bem a experiência, tudo flui melhor. A ideia do Olga é essa, criar drinks que acompanhem a noite, não que atropelem ela”, explica.

 

Esse olhar traduz um comportamento cada vez mais presente. O público não quer apenas beber, quer vivenciar, entender a história por trás do copo, rir de si mesmo e transformar até a ressaca em parte do ritual social. É menos drama, mais humor, menos exagero, mais intenção. No Olga, prazer e pausa convivem na mesma mesa, sempre com leveza e ironia.

 

O Olga acerta ao transformar esse momento pós exagero em algo quase lúdico. A fachada escondida, o clima de laboratório antigo, os objetos fora de lugar e os drinks com nomes de botica criam um espaço onde a noite não precisa ser perfeita, só precisa ser boa o suficiente para virar história no dia seguinte.

 

No fim, o Dia da Ressaca vira só mais um pretexto para celebrar uma tendência cada vez mais clara, bares que entregam narrativa, humor e memória, onde até o cansaço vira parte da experiência. Porque, convenhamos, se for para curar a ressaca, que seja com um bom drink, uma boa história e a sensação de que alguém pensou nisso tudo antes de você chegar.

 

Funcionamento e reservas

Com proposta de acesso limitado e clima de exclusividade, o Olga funciona em dias e horários comunicados pelas redes sociais. A capacidade éá de aproximadamente sessenta pessoas por noite, e as reservas são recomendadas para garantir a experiência completa.

 

O Olga chega para unir história, técnica, memória e humor em um só lugar. A casa é uma homenagem à boticária que acreditava que sabores e encontros poderiam curar o que pesa na rotina. Agora, essa filosofia ganha uma nova interpretação em pleno centro de Curitiba.

 

Serviço
Olga
Endereço: Vicente Machado, 664
Horários: quinta, sexta e sábado das 19h à 01h
Reservas recomendadas - 
https://encurtador.com.br/pniB

Instagram: @olgaspeakeasy

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