Março reforça alerta para o câncer de intestino e destaca alimentação saudável como aliada na prevenção



Estimativas do INCA para o triênio 2026-2028 indicam 781 mil novos casos de câncer por ano; mudanças no estilo de vida podem reduzir riscos


Março, mês dedicado à conscientização sobre o câncer de intestino, também chamado de câncer colorretal (cólon e reto), reacende um debate essencial para a saúde pública: a influência direta dos hábitos de vida no desenvolvimento da doença. Considerado um dos tipos de câncer mais incidentes no Brasil, o tumor colorretal está fortemente associado a fatores comportamentais, muitos deles modificáveis.


As Estimativas de Incidência de Câncer no Brasil, divulgadas pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA) para o triênio 2026-2028, apontam que o país deverá registrar, aproximadamente, 781 mil novos casos de câncer por ano, mantendo o câncer de cólon e reto entre os mais frequentes em homens e mulheres. O cenário reforça a importância das estratégias de prevenção e diagnóstico precoce.


Para o médico cirurgião oncológico do Centro de Oncologia do Paraná (COP), Marciano Anghinoni, o crescimento da incidência acompanha transformações no estilo de vida da população, especialmente no padrão alimentar. “O câncer colorretal é um dos tumores mais relacionados ao comportamento e ao ambiente em que vivemos. Alimentação inadequada, sedentarismo e excesso de peso formam uma combinação de risco bastante conhecida na literatura médica”, explica.


Alimentação e risco: o que a ciência já sabe


Segundo dados do World Cancer Research Fund (WCRF) e do próprio INCA, dietas com alto consumo de carnes e alimentos ultraprocessados, gorduras em excesso e baixo teor de fibras estão associadas a maior risco de câncer de intestino.


Em sentido oposto, padrões alimentares ricos em frutas, verduras, legumes, grãos integrais e fibras demonstram efeito protetor. Isso ocorre porque esses alimentos contribuem para o equilíbrio da microbiota intestinal, reduzem processos inflamatórios e favorecem o funcionamento adequado do trato digestivo.


“A saúde do intestino é profundamente impactada pela dieta. Uma alimentação pobre em fibras e rica em produtos ultraprocessados pode alterar a microbiota intestinal e criar um ambiente inflamatório que, ao longo dos anos, favorece alterações celulares”, destaca Anghinoni.


Além dos fatores alimentares, a literatura médica também associa o risco aumentado da doença ao tabagismo, consumo excessivo de álcool, obesidade e inatividade física, compondo um conjunto de fatores que pode ser significativamente reduzido com mudanças no cotidiano.


Prevenção: pequenas escolhas, grandes impactos


Embora fatores genéticos e histórico familiar também tenham relevância, grande parte dos casos de câncer colorretal estão ligados a aspectos ambientais e comportamentais. Isso torna a prevenção uma ferramenta poderosa.


Entre as principais recomendações dos especialistas estão:


Priorizar alimentos in natura e minimamente processados



Aumentar a ingestão de fibras, frutas, verduras e legumes



Reduzir o consumo de carnes processadas e ultraprocessados



Manter prática regular de atividade física



Controle do peso



Evitar tabagismo e consumo excessivo de álcool



“Não estamos falando de mudanças radicais, mas de ajustes consistentes no estilo de vida. A prevenção do câncer colorretal passa por decisões diárias e sustentáveis”, ressalta o especialista.


Diagnóstico precoce pode mudar prognósticos


Outro ponto central da campanha de março é o rastreamento. O câncer de intestino, em grande parte dos casos, se desenvolve lentamente e pode ter origem em pólipos: lesões benignas que podem evoluir para tumores malignos ao longo do tempo.


A colonoscopia é considerada o principal exame preventivo, pois permite identificar e remover essas lesões antes que se tornem câncer. Diretrizes médicas internacionais recomendam que o rastreamento seja iniciado, em geral, a partir dos 45 anos, podendo ser antecipado em pessoas com fatores de risco. “O diagnóstico precoce é decisivo. Quando identificado em estágios iniciais, o câncer colorretal apresenta taxas de cura significativamente mais altas. Infelizmente, ainda há muitos casos diagnosticados tardiamente”, finaliza.

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