Viagens solo crescem entre mulheres e impulsionam mudanças no turismo brasileiro

 


Busca por autonomia, segurança e autocuidado leva brasileiras a viajar sozinhas; Ministério do Turismo lança cartilhas e setor se adapta

Foto profissional - pexels.com

Viajar sozinha deixou de ser exceção e passou a integrar o planejamento de um número cada vez maior de mulheres no Brasil. Impulsionado pela busca por autonomia, autocuidado e reconexão pessoal, o movimento cresce tanto no turismo doméstico quanto na chegada de mulheres estrangeiras desacompanhadas ao país.


Levantamento da empresa internacional Condor Ferries aponta que 64% dos viajantes solo no mundo são mulheres. No Brasil, dados da plataforma Statista indicam que 45% das brasileiras demonstram interesse em realizar uma viagem sozinha, percentual que vem aumentando nos últimos anos, especialmente entre mulheres acima dos 35 anos.


Segundo a consultora de turismo Santuza Macedo, CEO da Diamond Viagens, a tendência reflete uma mudança no comportamento feminino. “Viajar sozinha deixou de ser um ato impulsivo ou de ruptura. Hoje é uma decisão planejada, ligada à saúde emocional, à autonomia e ao desejo de viver experiências próprias”, afirma.


Brasil no radar e ações do governo


O crescimento das viagens solo ocorre em paralelo a iniciativas institucionais. Em 2025, o Ministério do Turismo lançou a Cartilha de Orientação para Atendimento a Mulheres no Turismo, voltada a hotéis, guias, transportadoras e operadores, com foco em acolhimento, prevenção de violência e comunicação adequada.


A pasta também confirmou o lançamento de uma nova cartilha direcionada às próprias turistas, prevista para o início de 2026, com orientações sobre segurança, direitos, planejamento e canais de apoio.


Para Santuza, a iniciativa responde a uma demanda real. “Mulheres querem viajar, mas querem clareza, respeito e segurança. Informações objetivas fazem diferença na decisão do destino”, explica.


Turismo interno fortalece protagonismo feminino


Dados do Ministério do Turismo mostram que o turismo doméstico segue em expansão, com destaque para viagens de curta e média duração. Cidades históricas, destinos urbanos, regiões de natureza estruturada e polos gastronômicos aparecem entre os mais procurados por mulheres que viajam sozinhas.


“Muitas começam por viagens próximas, dentro do próprio estado. É um passo importante para ganhar confiança e autonomia”, diz a especialista.


Dúvidas e receios ainda fazem parte do planejamento


Apesar do crescimento, viajar sozinha ainda levanta questionamentos frequentes. Segurança, deslocamento noturno, escolha da hospedagem e medo de imprevistos estão entre as principais preocupações.


“Perguntas como ‘vou me sentir segura à noite?’ ou ‘esse hotel está preparado para receber mulheres sozinhas?’ são comuns. O setor precisa ouvir essas dúvidas e se adaptar”, avalia Santuza.


Impacto emocional e transformação pessoal


Estudos da Harvard Medical School indicam que experiências de viagem contribuem para a redução do estresse e melhora do bem-estar emocional, especialmente quando envolvem autonomia e contato com novos ambientes.


“Planejar, decidir e lidar com situações inesperadas fortalece a autoconfiança. Muitas mulheres relatam que só depois de viajar sozinhas perceberam o quanto são capazes”, afirma Santuza.


Para a especialista, o Brasil tem potencial para se consolidar como destino acolhedor para mulheres viajantes. “Esse público cresce, movimenta o turismo e influencia escolhas. Pensar nisso é estratégico”, conclui.

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