Uma viagem pelo Piemonte através dos vinhos Batasiolo
Por: Adriano Rattmann
Tive a oportunidade de participar de uma degustação especial dos vinhos Batasiolo, tradicional vinícola familiar da região de Langhe, no Piemonte, noroeste da Itália. A experiência foi conduzida por Andrea Cravero, Export Director da marca, que apresentou não apenas as características de cada rótulo, mas também os terroirs, as denominações de origem e a cultura enológica de uma das regiões mais importantes do mundo do vinho.
A história da Beni di Batasiolo começou em 1979, quando os irmãos Dogliani adquiriram a histórica vinícola Kiola e seus sete renomados crus na região de Barolo. Inicialmente chamada Fratelli Dogliani, a empresa passou posteriormente a adotar o nome Beni di Batasiolo e hoje possui nove propriedades e cerca de 140 hectares de vinhedos. Aproximadamente 60 hectares são dedicados à Nebbiolo, a uva mais emblemática do Piemonte.
A dimensão da vinícola também chama a atenção. A Batasiolo produz cerca de 2,6 milhões de garrafas por ano. Desse total, aproximadamente 500 mil são de Barolo, dentro de um universo de cerca de 13 milhões de garrafas produzidas anualmente na Itália. Os números ajudam a entender a importância da marca nessa denominação tão tradicional.
Durante a degustação, conheci quatro rótulos, começando pelo Batasiolo Gavi DOCG, produzido com a uva Cortese. De coloração amarelo-palha com reflexos esverdeados, apresentou aromas florais intensos e persistentes. Na boca, mostrou bastante frescor, boa persistência e um final que lembra amêndoas. Um vinho branco elegante e muito agradável.
Na sequência, provei o Batasiolo Dolcetto d’Alba, elaborado com a uva Dolcetto. Com coloração rubi brilhante, trouxe aromas de frutas vermelhas acompanhados por leves notas de especiarias. É um vinho de corpo médio, fresco e equilibrado, com taninos delicados e final agradável.
O terceiro rótulo foi o Batasiolo Barbaresco DOCG, elaborado com Nebbiolo e envelhecido em carvalhos eslavônio e francês, além de passar por um período de amadurecimento em garrafa. De coloração rubi-grená com reflexos alaranjados, revelou aromas florais intensos, frutas vermelhas maduras e uma interessante nota de anis-estrelado. Encorpado, mas com taninos finos e um final frutado, foi o vinho de que mais gostei durante a degustação. Um rótulo elegante, equilibrado e cheio de personalidade.
Encerramos com o Batasiolo Barolo DOCG, também produzido com Nebbiolo e com estágio de 18 meses em grandes tonéis de carvalho eslavônio. Apresentou coloração rubi-grená com tons alaranjados e aromas mais complexos, que remetem a frutas em compota, couro e torrefação. Encorpado, com taninos firmes e final longo, é um vinho com potencial de guarda de até 15 anos. Ainda jovem, precisa de um pouco mais de tempo e descanso na taça para se abrir e revelar todo o seu potencial.
Foi uma degustação muito interessante, que permitiu perceber diferentes expressões do Piemonte e compreender melhor a importância da Nebbiolo na identidade da região. Mais do que conhecer quatro rótulos, foi uma verdadeira viagem por uma cultura construída a partir da tradição familiar, do respeito ao terroir e da busca constante pela excelência.

.jpeg)

Comentários
Postar um comentário