Setembro Verde: 5 mil tsurus simbolizam espera por transplantes em exposição do Hospital Angelina Caron no Aeroporto Afonso Pena
Está aberta a Mostra que reúne histórias de
pacientes e uma instalação que representa as mais de 5 mil pessoas que aguardam
por um órgão ou tecido no Paraná
Cinco mil tsurus ocupam o Aeroporto Internacional Afonso Pena a partir
desta segunda-feira, 21 de setembro, para dar dimensão a uma espera que
envolve milhares de pacientes e famílias no Paraná. As dobraduras fazem parte
da terceira edição da exposição Histórias de Transplantes, realizada pelo
Hospital Angelina Caron (HAC), que permanece no saguão de embarque até 21 de
outubro.
Tradicionalmente associado à esperança e à longevidade, cada tsuru da
instalação representa simbolicamente uma das mais de 5 mil pessoas que aguardam
pela oportunidade de receber um órgão ou tecido no Estado. Mais do que traduzir
um número, a proposta é chamar a atenção de quem passa pelo aeroporto para uma
realidade que depende de informação, diálogo e, principalmente, da decisão das
famílias pela doação.
A instalação conta com o trabalho da artista Maria Izabel Corrêa Guiraud,
que encontrou no origami uma profissão e uma forma de expressar suas
habilidades. Parte das dobraduras também nasceu dentro do próprio Hospital
Angelina Caron. No início de setembro, uma oficina de origami aberta à
comunidade reuniu colaboradores, pacientes e acompanhantes na produção dos
tsurus que agora integram a exposição.
A abertura acontece durante o Setembro Verde, mês dedicado à
conscientização sobre a doação de órgãos, e antecede o Dia Nacional da Doação
de Órgãos, celebrado em 27 de setembro. Neste ano, a mostra ganha ainda outro
significado: o Hospital Angelina Caron completa 25 anos de atuação em
transplantes, período em que já realizou mais de 3,4 mil procedimentos.
Histórias por trás da espera
A exposição nasceu justamente da intenção de falar sobre transplantes
para além dos números. Em sua terceira edição, Histórias de Transplantes
apresenta relatos de pacientes e famílias que tiveram suas trajetórias
transformadas pela doação de órgãos e leva o tema para fora do ambiente
hospitalar.
No Brasil, mesmo que uma pessoa tenha manifestado em vida o desejo de ser
doadora, a doação de órgãos após a morte depende da autorização da família. Por
isso, uma das principais mensagens da campanha é a importância de conversar
sobre o assunto em casa e deixar clara a vontade de ser doador.
“Por trás de cada transplante existem duas famílias vivendo momentos
profundamente diferentes: uma enfrenta a dor da perda e, em meio a ela, toma
uma decisão de enorme generosidade; a outra recebe uma nova possibilidade de
vida. É essa conexão que queremos tornar visível. Falar sobre doação de órgãos
dentro de casa é um gesto simples, mas que pode mudar o destino de muitas
pessoas”, afirma Bernardo Caron, Co-CEO do Hospital Angelina Caron.
Uma das histórias apresentadas é a de Keteling Maiara da Silva de Farias,
de 27 anos. Diabética desde os seis anos, ela descobriu a insuficiência renal
após enfrentar a perda da visão e passou três anos e meio em hemodiálise.
Durante esse período, chegou a ser chamada algumas vezes para um possível
transplante, mas a incompatibilidade dos órgãos adiou o procedimento.
A oportunidade veio no Hospital Angelina Caron e marcou o início de uma
nova fase. Hoje, além de ter retomado a rotina, Keteling encontrou no esporte
uma maneira de ressignificar a própria história e já coleciona medalhas em
competições.
“Essas medalhas não são só minhas. Tudo o que estou conseguindo hoje
também é graças à família do doador, que, no momento mais difícil do luto, me
deu a chance de permanecer aqui. Eu preciso fazer essa oportunidade valer a
pena. Por isso, cada medalha que conquisto também é da família do meu doador”,
afirma.
25 anos de transplantes
Desde o início do serviço, em 2001, o Hospital Angelina Caron realizou
3.401 transplantes, número contabilizado até 16 de agosto de 2026. Somente
neste ano, até a mesma data, foram 98 procedimentos, entre transplantes de rim,
fígado, coração, pâncreas-rim, córneas e medula óssea, além do transplante
renal intervivos.
Em 2026, o hospital contabiliza 34 transplantes renais, 24 de fígado, 20
de medula óssea e quatro de coração, entre outros procedimentos.
“É motivo de muito orgulho olhar para essa trajetória e para o que o
Serviço de Transplantes do Hospital Angelina Caron representa hoje para o
Paraná. Esse reconhecimento foi construído ao longo de muitos anos, com
dedicação, conhecimento e o trabalho de equipes altamente especializadas. Ser
referência também nos traz a responsabilidade de continuar avançando,
qualificando a assistência e estando ao lado de pacientes e famílias em um dos
momentos mais importantes de suas vidas”, afirma Dr. João Eduardo Leal
Nicoluzzi (CRM-PR 14148), coordenador e chefe do Serviço de Transplantes do
Hospital Angelina Caron.
Paraná e a doação de órgãos
Dados consolidados de 2025, divulgados pela Secretaria de Estado da Saúde
do Paraná com base no Registro Brasileiro de Transplantes, mostram que o Estado
registrou 2.255 transplantes de órgãos e tecidos no período. Foram 460
transplantes de rim, 293 de fígado, 31 de coração, 1.066 de córnea e 405 de
medula.
O Paraná alcançou 38,9 doadores efetivos por milhão de habitantes em
2025, segunda maior taxa do Brasil e quase o dobro da média nacional, de 20,3.
A taxa de recusa familiar à doação no Estado ficou em 33%, enquanto a média
brasileira foi de 45%.
Para o Aeroporto Internacional Afonso Pena, receber novamente a exposição
também significa colocar o tema diante de milhares de pessoas que circulam pelo
terminal.
“Contribuir para uma exposição como Histórias de Transplantes reforça
nosso papel como espaço de encontro e conscientização para temas que impactam
toda a sociedade. Temos a satisfação de abrir as portas do maior aeroporto do
Paraná para uma iniciativa que homenageia a esperança de quem aguarda um
transplante, valoriza a trajetória dos pacientes transplantados e incentiva um
gesto capaz de transformar vidas: a doação de órgãos”, declara Éden Pisani Jr.,
gerente do Aeroporto Internacional Afonso Pena.
Depois de passar pelo Shopping Mueller e pelo próprio Aeroporto Afonso
Pena em edições anteriores, Histórias de Transplantes retorna ao terminal em
2026 com um convite que vai além da contemplação dos 5 mil tsurus: fazer com
que mais pessoas conversem sobre doação de órgãos e compartilhem essa decisão
com suas famílias.
Serviço
Histórias de Transplantes | Hospital Angelina Caron
Abertura: segunda-feira, 21 de setembro de 2026
Período: 21 de setembro a 21 de outubro de 2026
Local: Aeroporto Internacional Afonso Pena, saguão de embarque
São José dos Pinhais, Paraná
Sobre o Hospital Angelina Caron
Fundado em 1983, o Hospital
Angelina Caron (HAC) é uma instituição filantrópica de alta complexidade localizada
em Campina Grande do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba. Com mais de
quatro décadas de atuação, realiza anualmente mais de 400 mil atendimentos a
pacientes do SUS, convênios e particulares com atuação em áreas como
oncologia, transplantes, cirurgia robótica, pediatria e reabilitação.
O modelo de cuidado é integrado ao
ensino e à pesquisa por meio da UniCaron, do Departamento de Ensino e Pesquisa
e dos programas de Residência Médica. Com foco em segurança, qualidade e
atendimento humanizado, o HAC mantém como propósito promover saúde com
excelência e ampliar seu impacto na assistência à população do Paraná e do
Brasil.

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